O Segundo Livro a Bordo

Oru am
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... Tudo bem! Aceito o encargo. Já está conosco há alguns dias. É um bom livro como diário de bordo. Há tinta e penas de sobra. Há tanto mar pela frente! ... Somos da tripulação! Eu e o mais que pinta. Com tempo, direi aqui por onde andamos e o que vai pintando na vastidão destes mares!

Desde que deixamos nossas terras para trás e nos aventuramos “por mares nunca d’antes navegados”, muitas ilhas e outras belezas extraordinárias já nos foram dadas ver. Acabamos de sair de uma muito linda, com sua formosa civilização. Nela, ganhamos este livro, onde passo a contar o que acontece desde que recebemos “aberto na página brilhante” aquele outro, o primeiro livro, que nos lançou ao mar.

Por hora adianto algumas possibilidades: mais que algumas “garrafas”: - chamam de “garrafa” aquele ou aquilo que chega aqui até essa nossa solidão e diz alguma coisa - têm nos avisado de uma terra grande a bombordo. Será uma terra promissora? Ainda há alguma água doce nos porões, comida e lenha… O Pensamento é mesmo um merdão pra essas coisas… ah! Contamos com ele pra guardar as coisas e dar algum recado. Freqüentemente à toa, fica jogando damas! “Se é preta, se esperou demais; se é clara, se sofreu à toa"… Besteira! É só menos um pra prestar atenção no horizonte. Pois é, o horizonte do Pensamento é mesmo do tamanho do tabuleiro de damas...

Algumas gaivotas já nos são familiares, acompanham a embarcação. Tenho sentido falta da Monalisa, conversávamos tanto! Uma vez dei um peixão pra ela e ela gostou. Passou um tempo. Sumiu! Acho que ta pros lados de São Paulo. Aninha ainda dá as caras vez em quando. E o Bruno - um atobá - não saía do convés… Roberta! A avidez mais dissimulada de uma depressão voraz... Mas a embarcação ainda sem cracas… Ave é um bicho extraordinário. Vocês devem saber, são elas o resultado da ponta de estoque dos dinossauros que, após viverem 450 milhões de anos sobre a terra, tiraram férias, e pegaram um vôo pra imensidão. Os que ficaram estão assim, aposentados, voando pra lá e pra cá. Há aves que realmente passam grande parte do ano voando e praticamente só pousam pra reproduzir - os albatrozes. - Outras também, só que abaixo d’água: os pinguins! Existe até ave vivendo sob o solo, quase cega como as toupeiras - um papagaio neozelandês.Não estranhem estes conhecimentos, antes de embarcar, eu já vivia na Terra. Não estranhe também que um avião seja assim tão mais difícil quanto a manutenção e segurança: nosso projeto tem menos de 100 mil anos - dizem mesmo que são 10 mil anos… Isso me faz lembrar em muito arte conceitual… Mas eu não estou aqui para isso!

Aqui tratamos uma rede ou uma linha de pesca com muito carinho. Elas também recebem nomes. Tudo bem. Depois eu conto.