Prosa Poética Percepcionista

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Percepção. Tudo que acontece em si desconhecido. Dos Céus desce um Anjo que onçaria presença (sic) fosse possível sequer em raio, o Anônimo de que se inventa falar. De um lado, qual certeza, apelida-se a filha do Infernal Pensamento: Psicoelástica a erigir arquiteturas sagradas que apontam, tangem e prometem céu. Do outro sua irmã duvida: Psicobélica que trança imprecisos contornos de uma dança livre e encantadora eis que salta graciosa à leveza do céu, de onde sempre retorna. Ao centro, uma Luz mais ausente ainda que o próprio Anjo Anônimo o ilumina, suposta, metafórica, poética; um estender de mão - canhestro esboço - ao resgate de um Diamante de Vento, em meio às brasas que sequer com qual mais fantástica das pegas não o engasta e assim crepitam coletividades ao Céu, pitorescas pirotecnias que lembram o que ocultam e O que se revela é relva, onde pasta-se palavras.

Percepcionismo? Organizar diabolicamente conceitos concretizados em posse da Atitude Criativa. Nome. Medalha de fome. Um Homem para o inconsistente plástico dos Homens.

Sais de banho. Durante o banho que a Percepção dá no Entendimento, quando a mente é lavada e leve, levada ao encontro com o Novo, na justa dimensão da Atenção, ao que se seguem os processos de apropriação cognitiva, o Pensamento, tais quais os que se é, tem ou faz diante das coisas e acontecimentos desconhecidos e surpreendentes.

Archaeopteryx. Esta surpresa, este estado de descoberta e invenção - o objeto constituído mais ou menos puro, imantado pelo gozo da novidade - então, como em um nascimento, pertence às existências no ânimo de danças e vozes que constituem o Tempo, nomeado por Vida, até que o Pensamento, que o grafa, exceda-se numa inflorescência de corporificações cristalinas. Dinossáuricas formas que se concretizam sólidas como rochas diamantinas, em livros, museus, múmias e ninfas que desfalecem onde se esfacelam sem a Liberdade Plástica e Viva. Ruínas. Devolve-se através da Morte - solitária para os dias e morna no conforto do Sonho que a impregna de amor em suas noites sombrias – o que antecede ao Tempo em que duram. A Único, Diálogo com Deus, a Asa Criativa. Onde só a Superfície é viva.

Rosnados. A revolta e o embotamento das mentes emotivas e racionais que projetam o findar precoce em tudo que tocam. Então o Artista adentra-se ao obscuro para nos salvar do muro, da lápide, do túmulo que o olhar identificador, sensível e assassino, constrói. Corre atrás. Quer receber e dar, ser o lar do murro do Azul mais profundo. Necessita acabar com tudo, antes do fim do mundo. O último amar em próprio e impróprio desesperado culto. Vultuoso vulto. Dissolve-se na floresta de sombras e lágrimas em dilúvio. Contudo. Fica. No Escuro.

Cristalino. A tentativa da maleabilidade, ponderação, flexibilidade, consenso, avesso ao despotismo, disfarçam de sensatez a descabida ambição de liberdade. Ao contrário, no máximo do enrijecimento é que se pode quebrar a cara. A perspectiva cianótica, o sangue pisado do olhar inocente, caiçara temporariamente os socos de um incomensurável Azul Cinzento. O Humor e a Graça em momento. Significa este ficar morrível, assim Vivo, no encontro inconcebível entre Percepção e Pensamento. Uno e duo qual o Tempo. Assombrante e Translúcido. Tento.

Arte. Todo Objeto Artístico é temporário e não está no Olhar ou em Si, mas na relação em que vivem desconhecidos de algum desfecho ou conteúdo. (Um barco?) Mais ou menos dúctil ou friável e sem nem mesmo isso nos Quase eternos ou longevos, rejuvenescedores e intangíveis, Sólidos ou jeitos, que ainda úmidos do âmnio da Percepção sejam imanentes e atávicos. O Gérmen do Átimo no Cálice do Silêncio.

Oru am Sudá