Oru am Sudá

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Orgânica Indexa - Um Conceito que se modifica

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Venho a por grafite, carvão, pigmentos, tintas, metais, minerais e resinas - predominantemente acrílicas - sobre superfícies, desde que nasci. Assumi como Pintura em 1997 aos 33 anos.

Vejo pinturas surgindo da Infinitude quais pássaros no espaço desmedido de um olhar vazio. Entretanto, se capturadas na gaiola do entendimento, as pinturas, ainda que bem tratadas, perdem o viço e a melodia. Qualquer domínio técnico ou ideia, portanto, não valem como condição: Apenas atendem, como os frutos que ficam nos pés, às visitas-aves dessas belezas imprevisíveis.

Parece-me que desenvolvo diversas linhas de trabalhos concomitantemente e não fases. Tais linhas resurgem e por vezes relacionam-se entre elas. Assim, além de criar pinturas - trabalhos a que chamo de originais ou iniciais - as relaciono em Unidades Visuais onde também emprego as de outros autores (sempre trabalhos originais). Entendo que tais Unidades Visuais são temporárias, podendo ser desmembradas e que as pinturas passem a pertencer a outras Unidades Visuais, mantida a integridade física de cada pintura. Isto , naturalmente, por via de regra, ou seja: por adotar os princípios eticos com os quais entendemos que não se deve danificar ou interfirir no trabalho de outrem, nunca mexi no trabalho de outros, salvo para fins de restauração. Entretanto, em relação aos meus próprios trabalhos percebo que inclusive a fragmentação e a sobrepintura posterior a apresentação de alguns trabalhos, oconteceu... Com esta abordagem vejo que trato as pinturas como matéria prima da própria Pintura. Desenvolvo então novas pinturas a outras articuladas - inclusive a de outros autores. - Saõ estas entre outras atitudes que parecem apontar para uma tendência a unificar os trabalhos numa Obra não segmentada, onde fase, tempo e autoria ganham possivelmente novo significado.

Criei assim alguns termos para tentar definir estes processos. Pinacófago e pinacossoma (pinacofagia e pinacossomia), para as Unidades Visuais onde uma ou mais pinturas originais passam a servir temporariamente como elemento em composição com novas pinturas. Ideogramáticos eu chamei as pinturas multiplas (compostas por duas ou mais partes) em que cada parte funciona como uma espécie de ideograma que então podem ser relacionados entre si e constituirem frases ou “logias” temporárias. Alguns dípticos entretanto eu criei atectônicos e articuláveis entre suas laterais e os denominei de engenhóticos. Os que parcial ou temporariamente fiz serem eclipsados por outros, chamei de eclípticos. Mas, esse conjunto de abordagens - cada uma com diversos trabalhos - acabam também por se misturar e constituir unidades pinacohíbridas...

Nesta “dança” entre as pinturas, surgiu um trabalho que assinalou para mim um novo conceito: Orgânica Indexa. Ou seja: As pinturas indexam valores relativos e temporários entre si de uma maneira semelhante ao que ocorre no universo orgânico - quer vivo ou inanimado - qual com as espécies e as substâncias em suas ecologias e evolução. Mas é importante que se diga que tais conceitos nasceram da minha abordagem, e não o contrário, ou seja, não parto de conceitos para a abordagem. São processos criativos e portanto não validam - muito pelo contrário - as abordagens conceituais.

Oru am Sudá.

 

 

Oru am por Angela Ancora da Luz

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" (... ) Sem escolas, sem academias, sem mestre, Oru am iniciou um caminho solitário onde sua arte o instruía e sua mão se adestrava no ato de fazer cada vez mais. É a partir daí que começa a desenvolver suas próprias técnicas, a pesquisar a química das cores, a se orientar pelas regras de restauração, que também realiza de modo empírico.

Ainda de forma não intencional, inicia um processo de parcerias. Recebe a encomenda de emoldurar um quadro, criando um tal arremate, que dialogasse com a obra. Esta moldura e o próprio passe-partout, tornam-se, então, novos suportes, abdicando de sua condição última de dar acabamento, para subverter, assim, a antiga ordem, o que, até certo ponto, possui um acento moderno. Neste sentido minha afirmação se aproxima da modernidade como entende Habermas, em seu discurso, Modernidade um projeto inacabado, ou seja, do que se desprende de todos os laços históricos, conservando no todo apenas a oposição abstrata à tradição, à história.

Não se pode afirmar que Oru am interfira na obra do artista que lhe propõe o diálogo. Muitos de seus interlocutores são anônimos, outros tantos, absolutamente desconhecidos para ele. De modo igual, Oru am estabelece o mesmo procedimento em relação ao original. A obra inicial continua autônoma, autárquica; podendo se desabrigar da moldura e do passe-partout no momento desejado por seu proprietário. Contudo, no instante em que se acoplam, inevitavelmente passam a constituir uma unidade visual.

Quando pensamos nas pinturas rupestres, onde eram registrados os animais desejados para a sobrevivência humana, nos deparamos, também com mágicas composições entre artistas que, muitas vezes, estavam mais de cem ou duzentos anos no tempo linear, mas juntos encontravam o tempo imutável, numa parceria artística que os associava perenemente. Também quando refletimos sobre a produção artística no interior dos ateliês de grandes pintores dos séculos XVI e XVII, observamos que um determinado fundo pintado numa grande tela, por exemplo, é atribuído a um artista que ajudou e aprendeu com o mestre que assinou a obra. O que de novo existe em Oru am é, inicialmente, a intencionalidade de criar com o objetivo pré-fixado de ser um com o outro, mantendo ambos, entretanto suas próprias características, por outro lado, quando ele mesmo realiza a obra, também estabelece uma relação dialógica com suas “molduras”, que se tornam extensões da tela, numa topografia nova que anula o caráter limitador daquele meio para se tornar pintura. Talvez resida aí o seu viés de modernidade.

Em sua obra, a temática dos Reinos animal e vegetal surpreende pela força e testifica o olhar do biólogo e do naturalista. O exercício da pintura codifica as cores tropicais e transforma em significantes os elementos que já constituem seu imaginário: peixes, tartarugas, orquídeas etc.

Tanto na relação anônima, quando a obra de outro é trazida à sua observação, quanto na sua própria criação, quando partes da natureza se revelam em seu esplendor e exatidão. Oru am imprime suas digitais pictóricas numa caligrafia que o isola e identifica. No mais, o abandono da lógica quando remete à técnica, predominantemente pintura acrílica, é apenas um detalhe que reforça seu autodidatismo e intuicionismo. Interessa o que se apresenta ao ato de fruição: a obra de Oru am."


Angela Ancora da Luz

 

Historiadora de Arte

 

 

 

Oru am por João Gilberto Prado Pereira

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“Querido e grande Artista Plástico Oru am Sudá. Um Gênio. Querido Oru. Carinho. João”.

"Oru é Musical. João"

 

 

Oru am por Joãosinho Trinta

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“Criatividade e técnica, sensibilidade e desprendimento, o novo e o velho. Tudo está junto na arte de Oru am”.

 

Oru am por Adriano Nunes

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"Oru"

 

Ouro

Ou

O

Olho

De

Hórus

Ou

De

Oru

Os

Ósculos

Ou

Outro

Mar

Que

Vem

De

Mauro,

Neste

Quântico a-

Braço,

Quase

Quadro.

Tintas

E

Metros

Por

Todos

Os

Lados.

 

Adriano Nunes (2016)

 


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