Oru am Sudá

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Oru am por Angela Ancora da Luz

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" (... ) Sem escolas, sem academias, sem mestre, Oru am iniciou um caminho solitário onde sua arte o instruía e sua mão se adestrava no ato de fazer cada vez mais. É a partir daí que começa a desenvolver suas próprias técnicas, a pesquisar a química das cores, a se orientar pelas regras de restauração, que também realiza de modo empírico.

Ainda de forma não intencional, inicia um processo de parcerias. Recebe a encomenda de emoldurar um quadro, criando um tal arremate, que dialogasse com a obra. Esta moldura e o próprio passe-partout, tornam-se, então, novos suportes, abdicando de sua condição última de dar acabamento, para subverter, assim, a antiga ordem, o que, até certo ponto, possui um acento moderno. Neste sentido minha afirmação se aproxima da modernidade como entende Habermas, em seu discurso, Modernidade um projeto inacabado, ou seja, do que se desprende de todos os laços históricos, conservando no todo apenas a oposição abstrata à tradição, à história.

Não se pode afirmar que Oru am interfira na obra do artista que lhe propõe o diálogo. Muitos de seus interlocutores são anônimos, outros tantos, absolutamente desconhecidos para ele. De modo igual, Oru am estabelece o mesmo procedimento em relação ao original. A obra inicial continua autônoma, autárquica; podendo se desabrigar da moldura e do passe-partout no momento desejado por seu proprietário. Contudo, no instante em que se acoplam, inevitavelmente passam a constituir uma unidade visual.

Quando pensamos nas pinturas rupestres, onde eram registrados os animais desejados para a sobrevivência humana, nos deparamos, também com mágicas composições entre artistas que, muitas vezes, estavam mais de cem ou duzentos anos no tempo linear, mas juntos encontravam o tempo imutável, numa parceria artística que os associava perenemente. Também quando refletimos sobre a produção artística no interior dos ateliês de grandes pintores dos séculos XVI e XVII, observamos que um determinado fundo pintado numa grande tela, por exemplo, é atribuído a um artista que ajudou e aprendeu com o mestre que assinou a obra. O que de novo existe em Oru am é, inicialmente, a intencionalidade de criar com o objetivo pré-fixado de ser um com o outro, mantendo ambos, entretanto suas próprias características, por outro lado, quando ele mesmo realiza a obra, também estabelece uma relação dialógica com suas “molduras”, que se tornam extensões da tela, numa topografia nova que anula o caráter limitador daquele meio para se tornar pintura. Talvez resida aí o seu viés de modernidade.

Em sua obra, a temática dos Reinos animal e vegetal surpreende pela força e testifica o olhar do biólogo e do naturalista. O exercício da pintura codifica as cores tropicais e transforma em significantes os elementos que já constituem seu imaginário: peixes, tartarugas, orquídeas etc.

Tanto na relação anônima, quando a obra de outro é trazida à sua observação, quanto na sua própria criação, quando partes da natureza se revelam em seu esplendor e exatidão. Oru am imprime suas digitais pictóricas numa caligrafia que o isola e identifica. No mais, o abandono da lógica quando remete à técnica, predominantemente pintura acrílica, é apenas um detalhe que reforça seu autodidatismo e intuicionismo. Interessa o que se apresenta ao ato de fruição: a obra de Oru am."

Angela Ancora da Luz

Professora do Programa de Pós Graduação da ESCOLA DE BELAS ARTES DA UFRJ. Membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte – abca. Pertence a Associação Internacional de Críticos de Arte – AICA, ao Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro – IHGRj, ocupando a cadeira 12, benemérita de Benevenuto Berna e ao Comitê Brasileiro de História da Arte – CBHA. Diretora da EBA/UFRJ de 2002 a 2010. Mestrado em Filosofia IFCS/UFRJ; Doutorado em História, IFCS/UFRJ. Vários livros publicados, entre os quais Uma breve história dos salões de arte – da Europa ao Brasil, 2005. RJ. Caligrama pelo qual recebeu o Prêmio Sergio Milliet da abca/2006; Várias curadorias de exposições e publicações. Prêmio Gonzaga Duque pela abca/2012 por sua atuação em 2011. Eleita para ocupar a cadeira 19 de Victor Brecheret pela Academia Brasileira de Arte/ 2013. Membro da Comissão Científica Editorial da revista Convocarte – da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa.

 

 

 

Oru am por João Gilberto Prado Pereira

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“Querido e grande Artista Plástico Oru am Sudá. Um Gênio. Querido Oru. Carinho. João”.

"Oru é Musical. João"

 

Oru am por Joãosinho Trinta

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“Criatividade e técnica, sensibilidade e desprendimento, o novo e o velho. Tudo está junto na arte de Oru am”.

 

Oru am por Adriano Nunes

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"Oru"

 

Ouro

Ou

O

Olho

De

Hórus

Ou

De

Oru

Os

Ósculos

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Braço,

Quase

Quadro.

Tintas

E

Metros

Por

Todos

Os

Lados.

 

Adriano Nunes (2016)

 

Orgânica Indexa - Um Conceito que se modifica

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Venho pondo grafite, carvão, pigmentos, tintas, metais, minerais e resinas - predominantemente acrílicas - sobre superfícies desde que nasci, tendo assumido como Pintura em 1997 aos 33 anos.”

Vejo pinturas surgindo da Infinitude quais pássaros no espaço desmedido de um olhar vazio. Entretanto, se capturadas na gaiola do entendimento, as pinturas, ainda que bem tratadas, perdem o viço e a melodia. Qualquer domínio técnico ou ideia, portanto, não valem como condição: Apenas atende, como os frutos que ficam nos pés, às visitas-aves dessas belezas imprevisíveis.”

Desenvolvo diversas linhas de trabalhos concomitantemente, não fases. Uso eventualmente esses meus trabalhos originais e também os de outros autores como elementos de unidades visuais que componho, abrigando-os em novas Pinturas. Entendo toda Pintura como matéria prima – ela própria – para desenvolver novas Pinturas em seu entorno. Estas entre outras atitudes parecem apontar para uma tendência de unificar os trabalhos numa Obra não segmentada, relacionando diversas Pinturas entre si.

Poderia ser nominado de Pinacofagia e Pinacossomia, quando uma ou mais pinturas passam a servir temporariamente como elemento de outra em Unidade Visual composta. De Ideogramáticas, quando pinturas podem constituir “logias” temporárias com outras e depois outras. Quando atectônicas e articuláveis entre suas lateralidades, denominar-se de Engenhóticas ou ainda, quando parcial e temporariamente eclipsada por outras: Eclípticas etc. Mas, esse conjunto de linhas, cada um com diversos trabalhos, acaba também por se misturar - Pinacohíbridos - o que me faz tirar outro senso pertinente: chamar ao conjunto dos processos de “Orgânica Indexa”, ou seja, as pinturas indexam valores relativos e temporais entre si de uma maneira semelhante ao que ocorre no universo orgânico - quer vivo ou inanimado - qual com as espécies e as substâncias em suas ecologias e evolução, o que, principalmente, destitui ou pelo menos torna menos importante as prerrogativas da autoria e da datação que até então os trabalhos pictóricos impunham.

Assim pode-se supor ocorrer uma dinamização, uma criação de ambientes pictóricos - Ecótopos Pinacossomas - onde a indexação de valores relativos às relações temporárias entre as pinturas pode ser descrita somente pelo registro e sucessão de imagens digitalizadas e, entretanto, ser mais que uma simples narrativa de imagens ao decodificar tonalidades epistemológicas. Um pulso silente da Superfície Mutante em luz. Uma poesia à flor do Silêncio, da Pintura viva!

Surge um possível novo conceito: A Pintura como matéria prima da própria Pintura.

Se esta atitude compreende a pintura original, o trabalho inicial, como um Elemento possível de outra unidade pictórica, faz-se com que cada trabalho pictórico em si contenha apenas um valor relativo e, portanto, mais preciso e próximo ao que realmente é: matéria plástica da própria Pintura. Por conseqüência admito que uma Unidade Visual de qualquer tipo possa ser parcialmente eclipsada por outra. Possa ser fragmentada ou mesmo destruída. Decidir, contudo, sobre estas últimas abordagens é desumano. Forças da natureza ou sobrenaturais atuam através de alguém, a permitir isso? Quem poderia julgar? Quem pode isso viver? Que natureza ética assim pode isso compreender?

A Pintura desse modo deixa de pertencer restrita e exclusivamente à uma época, estilo ou mesmo a um autor, senão relativamente! Tampouco Ela nasce da aplicação de uma estética, técnica, estilo ou tema. Decorativa, Surrealista, Impressionista - toda lista de "istas" (rs) - ou mesmo Abstrata, por exemplo, são apenas contextos, não “naturezas pictóricas” reais, se podem, em certo momento, migrarem de uma para outra tipologia dentro de Unidades Visuais Temporárias. A Pintura então, apenas reflete, evidencia ou apresenta nova, a riqueza das relações. Tem ecologia e biodiversidade. É palavra em Canção. É Corpo Poético. Fala Viva de dentro e não apenas sobre sua própria pele ou marfim.

Oru am Sudá.

 


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